Tenho a sorte de estar chegando lá (aos 50) cercada de pessoas amigas que são profissionais relacionados à saúde e cuidados com a chamada “terceira idade”. Na família, temos cardiologista e pneumologista, nutricionista especializada em cardiologia, entre tantos outros profissionais. E na minha igreja (Primeira Igreja Batista do Brás) temos à frente do grupo feminino (Mulher Cristã em Missão) uma das figuras mais famosas na área, Marília Berzins, assistente social, especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP, e doutora em Saúde Pública pela USP.

 

Mas essa não é a realidade da maioria.

O Brasil é um dos países com a maior população idosa do mundo, com cerca de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e expectativa de que a população ultrapasse os 73 milhões de idosos até 2060 – segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para discutir assuntos relacionados ao envelhecimento, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) realiza o 22º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, de 2 a 4 de abril de 2020, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

“Como tema principal, teremos as escolhas sensatas e a qualidade assistencial. Vamos abordar os assuntos mais relevantes relacionados à pessoa idosa, como o papel das tecnologias no cuidado aos mais velhos e o idoso no centro do cuidado, respeitando as suas individualidades e suas escolhas”, explica o presidente da SBGG, Dr. Carlos André Uehara.

 

A programação contemplará conferências, mesas redondas, encontros, workshops, discussões de casos clínicos, sessões interativas, rodas de conversa, sessões práticas, fóruns e simpósios, reunindo estudantes e alguns dos maiores pesquisadores e profissionais que trabalham com envelhecimento de todo o Brasil e de países como França, Canadá, Uruguai e Argentina.
Entre os temas, destacam-se:
  • Geriatria: temas atuais da área médica voltada à saúde, ao envelhecimento bem sucedido e aos cuidados ao idoso, bem como doenças relacionadas ao envelhecimento, como infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e câncer entre pessoas com mais de 60 anos;
  • Gerontologia e atendimento clínico multiprofissional: assuntos em alta na sociedade e na imprensa, como direitos da pessoa idosa, previdência social e aposentadoria, sexualidade, políticas públicas, como a “adoção” de idosos e qualidade assistencial de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs);
  • Fragilidade e Sarcopenia: quase 12 mil pessoas com mais de 60 anos morreram em decorrência de quedas, em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde. Discutir protocolos médicos e pesquisas sobre fragilidade e perda muscular, a implementação de políticas públicas e a acessibilidade em locais públicos são alguns dos tópicos relacionados ao tema;
  • Neuropsiquiatria: cerca de 1,2 milhão de pessoas, a maioria idosos, vive com doenças como Alzheimer e Parkinson no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Além disso, em 2017, o País tinha 11,5 milhões de pessoas com depressão, sendo que os idosos estavam entre os mais atingidos pela doença, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O assunto demanda pensar o diagnóstico cada vez mais precoce dessas enfermidades e os papeis do geriatra e do especialista em gerontologia;
  • Cuidados paliativos: recentemente, a SBGG divulgou os resultados da iniciativa Choosing Wisely Brasil, com indicações de condutas que não devem ser adotadas por profissionais de saúde na atenção de idosos no final da vida.

Apesar de ter uma população crescente de idosos, o Brasil ainda carece de profissionais especializados para tratar com temas como os mencionados acima. Apenas na área médica, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), há 1.817 geriatras registrados, a maior parte (60%) na região sudeste. Sendo que há um geriatra para cada 16.511 idosos, índice muito abaixo do preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de um especialista para cada mil idosos.

“O geriatra é o especialista no envelhecimento humano e está capacitado para atender desde o idoso mais independente e com plena capacidade física e cognitiva até pacientes acamados ou que precisem de cuidados paliativos”, explica o Dr. Carlos Uehara, que complementa: “O Congresso cumpre o papel de atualizar os profissionais da área e contribuir com a formação de novos especialistas”.

 

A tendência é que essa lacuna cresça nos próximos anos, também com relação aos profissionais de outras áreas, especialistas em Gerontologia.

“As mudanças demográficas que aconteceram nas últimas décadas, especialmente a rapidez do envelhecimento populacional, impõem à sociedade medidas estratégicas para entender esse fenômeno. E são os especialistas que podem ajudar a compreender os cuidados necessários aos idosos, o envelhecimento ativo e saudável e outras questões relacionadas à velhice”, diz a socióloga especialista em gerontologia e presidente da Gerontologia da SBGG, Vania Herédia.

Serviço

  • 22º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia
  • Data: 2 a 4 de abril de 2020
  • Local: Expo Center Norte (R. José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme), em São Paulo
  • Outras informações sobre o CBGG e inscrições: https://www.cbgg2020.com.br/
Sobre a SBGG
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), fundada em 16 de maio de 1961, é uma associação civil sem fins lucrativos que tem como principal objetivo congregar médicos e outros profissionais de nível superior que se interessem pela Geriatria e Gerontologia, estimulando e apoiando o desenvolvimento e a divulgação do conhecimento científico na área do envelhecimento. Além disso, visa promover o aprimoramento e a capacitação permanente dos seus associados.