Três meses após o transplante de medula óssea, o americano Chris Long descobriu que o DNA no seu sangue havia mudado.

Ele havia sido substituído pelo DNA de seu doador, um homem alemão com quem ele havia trocado apenas algumas mensagens. Quatro anos após seu procedimento, não foi apenas o sangue de Long que foi afetado. Cotonetes de seus lábios e bochechas continham seu DNA – mas também o de seu doador. Ainda mais surpreendente para Long e outros colegas do laboratório criminal, todo o DNA em seu sêmen pertencia a seu doador.

Long tornou-se uma quimera, o termo técnico para a pessoa rara com dois conjuntos de DNA, algo que poderia acontecer com as milhares de pessoas recebem transplantes de medula óssea todos os anos, por câncer de sangue e outras doenças do sangue, incluindo leucemia, linfoma e anemia falciforme. Para o um médico, a questão não faz grande diferença, porém para um cientista forense, a história é diferente, já que o DNA pode ser utilizado para identificar vítimas e criminosos.

Embora seja improvável que alguma das pessoas envolvidas nos transplantes acabe sendo o autor ou a vítima de um crime, a ideia é bastante intrigante.

No caso de Long, das amostras coletadas, apenas os pelos do peito e da cabeça não foram afetados. A parte mais inesperada foi que, quatro anos após o procedimento, o DNA do sêmen havia sido totalmente substituído pelo doador. Se outro paciente responder de forma semelhante a um transplante e essa pessoa cometer um crime, isso poderá enganar os investigadores. Todos os especialistas que analisaram o caso de Long concordam que ele é um estudo de caso vivo e respiratório, e é impossível dizer quantas outras pessoas respondem aos transplantes de medula óssea da mesma maneira que ele.

Entenda no vídeo abaixo (em inglês):