Hoje assistimos Rambo: Até o Fim a convite do Complexo Tatuapé, e vou contar como foi o filme – com um pouquinho de spoilers!

Rambo é uma franquia que completa 40 anos em 2022 (segundo a @samegui é “coisa que os personagens do Stranger Things assistiriam” e de fato o Rambo II saiu no mesmo ano que Ghost Busters, 1985!), e eu lembro brevemente de quando lançou o Rambo IV quando eu tinha 8 anos, então é engraçado para mim comentar sobre uma franquia que tem idade pra ser meu pai. Com certeza para algumas pessoas um veterano da Guerra do Vietnã com PTSD como o Rambo soa mais histórico hoje em dia que, por exemplo, o Wolverine tendo flashbacks da Segunda Guerra Mundial e ter mais de 130 anos (aliás John Rambo série um ótimo garoto propaganda para alguma clínica de psicologia, algo do tipo “Se o Rambo tivesse feito terapia ninguém teria se machucado e não existiria essa franquia!”).

Porém, filmes de ação trazendo reflexões sobre o tempo e revisitando a história de alguma forma são uma forma de revitalizar o investimento gigante dos anos 80 e 90 em filmes de ação e ficção científica, misturando tudo isso com um pouco de nostalgia com filmes como Wolverine: Imortal (2013), O Exterminador do Futuro: Gênesis (2015), Logan (2017) e O Estrangeiro (2017) (quem sabe o Keanu Reeves não dá continuidade com algo assim com o novo Matrix que foi anunciado também?)

E falando mais especificamente de Rambo, o modelo de ação que a série criou inspirou não só muitos filmes da época como molda o mundo dos filmes de ação até hoje: um dos filmes mais elogiado do começo do ano trata de um ex-mercenário traumatizado com alguns eventos do seu passado tentando fugir da vida que viveu, mas quando certos eventos acontecem, ele se sente obrigado a voltar à ativa e mata todo mundo em uma carnificina (e ele é magistral fazendo isso). É, por mais que eu goste de John Wick, o filme não é tão original assim.

Rambo: Até o Fim segue esse padrão. A história trata de um Rambo velho, morando no interior 10 anos depois de dizer que ia se aposentar pela segunda vez. Rambo continuou tentando lidar com os seus demônios e agora tem uma “família” (tá mais pra um avô), mas tem dificuldades com seu passado.

Até que dificuldades acontecem e Rambo tem que salvar sua família em uma busca nas fronteira do México. Até aí o filme é uma mistura de Logan com Busca Implacável.

Como nos outros filmes da franquia, Rambo: Até o Fim tem un plano de fundo com questões políticas, porém dessa vez de uma forma mais tradicional. Ao invés de mostrar cenas de Guerra no Afeganistão, Birmânia ou Vietnã, temos um plano de fundo bastante explorado de fronteira com o México, tráfico e crime organizado, de uma forma bem produzida porém caricata (sabe aquele estereótipo de que todo filme americano que se passa no México tem um filtro amarelo? Adivinha a cor das luzes nas cenas?).

Como era de se esperar, é um filme 100% Stallone e tem ação e explosões gratuitas de um jeito que faria o Michael Bay ficar arrepiado, e as cenas de ação são super bem feitas e cheias de gore, algumas cenas lembram bastante O Justiceiro da Netflix (que também convenhamos que pega carona no Rambo), e conta com diferentes cenas fortes que não são simplesmente de pura matança.

Porém, o filme possui um grande ponto fraco e é algo imaginável: o roteiro é muito linear. Os diálogos são bem rasos e passam mensagens bem óbvias, de um jeito que mesmo que não seja como você imaginou, você tem certeza do que vai acontecer e isso quebra um pouco o filme. Silvester Stallone atua de um jeito muito mecânico a todo momento e você fica esperando que ele pare de falar e vá esfaquear alguém não pela ação, mas porque ele atua muito mal em várias cenas. Não diria que o filme é 100% previsível, mas eu diria que assim que você já consegue delinear muito bem tudo que vai acontecer no filme de um jeito bem fácil. (Acho que nesse aspecto o John Wick faz melhor, não pelo Keanu, mas porque ele não tem muito diálogo mesmo). A mensagem de vingança, maniqueísmo e guerra ao crime é previsível também mas fica explícita diretamente, assim como uma caracterização do México pela pobreza e crime. Acho que na visão maior, é um fator que liga o filme mais do que atrapalha, mas também não é feita do melhor jeito.

Para ser honesto, eu já tinha uma visão do que eu esperava com Rambo: Até o Fim e foi basicamente o que aconteceu, com uma chacina gratuita com um fundinho político. Não é o melhor filme de ação do seu tipo com certeza e imagino que nem o melhor do Rambo, mas acho que isso era parte da intenção enquanto faziam o filme e pelo menos seguindo essas diretrizes, ficou ok e foi um final para a franquia.