O cinema está repleto de obras que retratam acontecimentos reais, como tragédias, desastres naturais, atentados terroristas dentre outros. Em geral, dramas envolventes que transmitem a sensação de um caos generalizado e são capazes de unir indivíduos que muito dificilmente se juntariam em situações comuns.

É isso que ocorre no filme Atentado ao Hotel Taj Mahal, que estreia na próxima semana e que retrata atentados terroristas de origem islâmica em diversos pontos importantes de Mumbai, capital financeira da Índia, em novembro de 2008. Os ataques duraram cerca por dias e uma vez que a própria polícia de Mumbai não estava suficientemente preparada para um ataque de tamanha dimensão, a cidade teve de aguardar as forças especiais vindas de nova Délhi, capital do país, que levaram quase 3 dias para chegar devido a distância.

O enredo foca no ataque realizado no Hotel Taj Mahal, um dos mais luxuosos da cidade e conhecido por hospedar milionários, autoridades e celebridades.

A obra reflete sobre as diversas reações em um momento de tragédia como esse. Cada pequena escolha tomada por qualquer pessoa pode significar o futuro da vida dela mesma ou de alguém próximo. A fotografia, montagem, som e cenário se destacam neste processo, colocando o espectador praticamente dentro dos acontecimentos do filme e aumentando a atmosfera de suspense e (porque não) o terror vivido pelos personagens.

Não se trata de um filme com um protagonista claramente definido, mas sim de alguns personagens dispersos lutando por sua sobrevivência, sejam eles hóspedes ou funcionários do hotel. Vale apontar também que pouco importa ao longo da trama o passado e histórico de cada personagem, focando o roteiro integralmente aos acontecimentos ao longo do atentado. Mas não é isso que deixa o filme frio e pouco humanista.

Em um momento específico do roteiro no qual um dos terroristas se fere e acaba telefonando para sua família, ele claramente deixa de ser representado como uma máquina de guerra, mas sim como ser humano assim como os outros. Passando longe de defender o ato dos terroristas, tal momento serve ao mínimo para humanizar o assassino, reforçando que mesmo cometendo as piores atrocidades, ainda lhe resta um mínimo de sensibilidade.

“Atentado ao Hotel Taj Mahal” é um drama verídico, nada fictício, humanizador e por vezes aterrorizador. Retrata um fato histórico específico e pouco comentado na mídia mas cuja gravidade chegou a matar diversas pessoas e ferir muitas mais. Ainda assim, o filme destaca o heroísmo de funcionários e hóspedes do hotel, que se esforçaram até o último instante para que salvassem a maior quantidade possível de pessoas.