Nesta semana, encarei 2h30 de fila no vão do MASP e garanti minha terceira vez vendo Tarsila e suas obras principais (fui uma vez no Malba e outra na Pinacoteca faz anos), mas foi a primeira vez que pude dar um destaque real para a exposição.

O trabalho feito trazendo todas as obras de volta ao Brasil é incrível e consegue trazer tanto a história de vida de Tarsila como artista e como mulher em uma experiência única.

A exposição começa muito bem contando sobre sua infância e o começo de sua vida como pintora, mostrando uma série de autorretratos feitos em diferentes momentos de sua vida e a construção de seus estilos e idiossincrasias, se extendendo para retratos de Oswald e Mário de Andrade carregados de sua personalidade e de fortes influências impressionistas. Além disso, conta com tanto os rascunhos como uma de suas obras mais famosas, A negra, uma obra que possui uma origem muito forte tanto contextual quanto na história da artista.

A coleção rapidamente avança para uma série de paisagens cotidianas do Brasil da época, como favelas, centros ferroviários e festas de cidades rurais, contando com Carnaval em Madureira, EFCB, São Paulo e Morro de Favela e outras obras em um estilo entre o cubismo e o modernismo que descreve muito bem uma das facetas que descreve Tarsila. Uma crítica muito interessante acompanha mostrando a ideia da época em trazer o que há de novo para o Brasil assim como se fazia em outros países, forte influência do seu tempo de aprendizado na França.

A partir desse ideal, a seção seguinte contava com pinturas de estudo que eram quase digressões da artista, mostrando cenas simples se tornando geométricas e abstratas, mexendo com os conceitos de dimensão, perspectiva e conceito da imagem, trazendo outra visão da sua ideologia antropofágica.
Paralelamente podemos contar com quadros com temáticas fortemente políticas e sociais, em uma primeira parte contando com obras impactantes como Segunda classe e Os Operários e logo após com uma temática descritiva e mais religiosa, quase tocando o impressionismo, seguindo o estilo de Religião brasileira.

Essa temática se distorce e começa a tomar viés abstrato e partindo para o surreal, com várias paisagens mostrando uma natureza surreal e quase abstrata no melhor de seu estilo. Destaque especial para Cartão postal, O lago e Floresta.

Para terminar, a sala final mostra suas obras mais famosas, combinadas com o fim de sua fase surreal, brincando com o imaginário popular em quadros como O Touro, A Cuca, O Ovo e por fim, Abaporu e Antropofagia (eu imaginava que Abaporu teria um destaque maior no mínimo pela sua popularidade, apesar deste ter um destaque muito especial além do resto da coleção).

Porém, na minha opinião, o verdadeiro destaque da exposição é O Batizado de Macunaíma, centralizada ao fim da exposição, representando talvez uma intersecção entre o que foi o modernismo e a arte de Tarsila.

Serviço:

  • Quando: 05/04/2019 a 23/06/2019
  • Terça: das 10h00 às 20h00
  • Quarta a Domingo: das 10h00 às 18h00
  • Onde: MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Avenida Paulista 1.578, Bela Vista – São PauloSP
  • Quanto: R$ 40,00 Inteira e R$ 20,00 Meia (estudantes, professores e maiores de 60 anos). Entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo e para menores de 11 anos, o custo é de R$ 18,00.
  • Informações no site: masp.org.br/exposicoes/tarsila-popular

 

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