Estreando nos cinemas nesta semana, “A Espiã Vermelha” conta a história de uma cientista inglesa, Joan Stanley, inspirada em fatos reais ocorridos com Melita Norwood, que forneceu informações confidenciais para a KGB ao longo de décadas.

O longa se inicia com a prisão preventiva de Joan, já muito idosa, interpretada pela carismática Judi Dench, cerca de 50 anos após ter ajudado as autoridades soviéticas com informações sobre as bombas nucleares utilizadas em Hiroshima e Nagasaki. Joan é interrogada pela polícia, e acaba imergindo nos anos de sua juventude na Universidade de Cambridge. Entra em cena Sophie Cookson, protagonizando Joan aos seus 20 anos de idade, estudante, em meados de 1930.

Em meio à vida universitária, Joan acaba se aproximando de colegas dedicados aos movimentos comunistas e defensores da URSS, dentre os quais Leo (Tom Hughes) com quem acaba desenvolvendo uma relação amorosa (e não muito saudável). Apesar do contato próximo, Joan claramente não é uma comunista e chega a criticar publicamente Stalin, ditador da União Soviética à época, chocando seu companheiro Leo e os demais.

Após os ataques norte-americanos em Hiroshima e Nagasaki, Joan, à época muito próxima a professores que auxiliaram na construção da bomba, entra em um dilema moral. Pensando que o monopólio da arma poderia ser crucial para o futuro da humanidade, ela decide manter Leo e outros conhecidos infiltrados nas organizações comunistas dos planos científicos, acreditando que isso manteria a situação mais equilibrada.

Entretanto, o filme acaba adotando um tom não muito focado no dilema moral da protagonista, mas voltado para os romances vividos por ela na juventude, adquirindo de certo modo um tom mais novelesco e menos instigante. À frente de tamanha responsabilidade que a jovem Joan tomou para si, não fica muito claro se suas motivações foram morais e em prol de uma causa coletiva e humanitária, ou se foram em nome de um romance universitário que há tempos ela buscava resgatar, mas que a outra parte pouco colaborava com ela.

Esse tom romântico acaba cansando um pouco a obra, mas pelo fato de ser uma história pouco conhecida, seu desfecho é, portanto um mistério, o que acaba sendo útil para a construção do suspense.

A atuação de ambas as protagonistas também é um dos pontos fortes do longa, e ainda que a Joan idosa vivida por Dench acabe sendo apenas pontual, consegue transmitir com a devida emoção seu sofrimento ao se recordar do passado e de seus atos.

“A Espiã Vermelha” é, apesar de pouco profundo em discussões que poderiam levar a um debate de ética e moralidade, um filme que consegue transmitir a juventude nos anos da Guerra, tratar de fatos históricos relevantes e submeter o espectador em uma jornada histórica e psicológica.

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