Aquele chocolate belga (do Congo)… e tantas outras “delícias” que você valoriza em detrimento da comidinha da sua vó!

Pra pensar!

Na Páscoa, lojas e supermercados ficam lotados de ovos e vários tipos de chocolate e dados indicam que anualmente se consome 3 milhões de toneladas dele no mundo.

O que muitas pessoas não veem são as condições desumanas que crianças passam para esses chocolates chegarem às prateleiras!

O documentário ‘O lado negro do chocolate’ (2010), do jornalista dinamarquês Miki Mistrati, mostra o tráfico de crianças para as plantações de cacau da Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau. A produção do país corresponde a 42% do total no mundo.

Crianças podem ser compradas por 230 euros, incluindo transporte e uso ilimitado da criança. As crianças escravizadas geralmente vão do país Burkina Faso, na África. A maioria não sabe o idioma local, o que dificulta uma possível fuga. As crianças não conseguem pedir ajuda.

Quase todas estão fora da escola e usam facões enormes que, muitas vezes, são quase do tamanho da criança. No documentário, o jornalista conversa com dois meninos que acabaram de fugir de uma plantação. Eles dizem que são enganados pelos traficantes, apanham muito e passam fome.

Segundo o Observatório do Terceiro Setor, em 2001, a FDA (Food and Drug Administration), órgão norte-americano com funções semelhantes à Anvisa no Brasil, queria aprovar uma legislação para a aplicação do selo “slave free” (sem trabalho escravo) nos rótulos das embalagens. Antes da legislação ser votada, a indústria do chocolate, incluindo a Nestlé, a Hershey e a Mars, prometeram acabar com o trabalho escravo infantil nas suas cadeias produtivas até 2005. Este prazo tem sido repetidamente adiado, sendo que a meta atualmente é para o ano de 2020. Ou seja, a indústria do chocolate quer prorrogar até 2020 (ou ainda mais) o prazo para garantirem que não vão usar trabalho escravo infantil na produção dos seus chocolates.

O documentário está disponível no YouTube.

Eu não compro chocolate “produzido” em países que não cultivam cacau. Simples assim. E busco marcas nacionais porque as leis trabalhistas daqui eu conheço – as de fora, não.

É um começo embora, devemos admitir, o melhor seria comer pouco chocolate por conta do doce!

Aliás… o livro “Sugar: The World Corrupted: From Slavery to Obesity”, de James Walvin, está na minha lista de leituras próximas há meses.

O título já diz quase tudo: “Açúcar: o mundo corrompido desde a escravidão até a obesidade”.

Este feriado, transformado numa orgia do açúcar pela indústria e pelo marketing, parece o momento apropriado para começar a leitura!

Mais alguém tem interesse, já leu ou quer ler?

Tem uma resenha aqui (em inglês) e eu gostei de ouvir o autor aqui.

Assim que eu concluir a leitura, conto aqui 😉

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