Eu adoro histórias de comida! Gastronomia tem personalidade e quando um prato se torna símbolo de um país, ele conta toda a história por trás das descobertas, aventuras e avanços que envolveram sua aceitação e popularização.

Um exemplo é o macarrão. Marco Polo levou esta ideia genial dos chineses para a Itália. Uma história genial que tem até um monge japonês e está contada no ótimo documentário: Noodle Road

Aliás, tudo começa com uma correção: Marco Polo (que viveu entre 1254 e 1324), apesar de famoso como explorador e mercador veneziano, era descendente da nobreza da Dalmácia, na atual Croácia.

(Minha Mooca, bairro italiano que tem um clube chamado Dalmacia Croatia, e agora conta com escola chinesa e sedia a IBRACHINA – Instituto Sociocultural Brasil / China, podia ser praticamente uma Veneza, não acham?)

Mas voltemos ao peixe com batatas, um prato que, quando frito, se tornou símbolo da Inglaterra, mas que tem muitas variações, inclusive o prato tradicional desta época do ano, a bacalhoada!

Segundo soube pela Sirène Fish & Chips, a história do fish n’ chips é tão controversa quanto a origem das partes que compõem o prato, as batatas fritas e o peixe empanado.

De acordo com a história, a batata frita foi inventada na Bélgica, mas os franceses também reivindicam a autoria dessa iguaria culinária, tanto que em inglês a gente pede “French fries”, né?

Já o peixe empanado provém de países mais ao sul da Europa, inventado pelos povos judeus de regiões de Portugal e Espanha.

A junção das duas comidas se tornou símbolo nacional da Inglaterra, mas não se sabe ao certo em qual parte do país o preparo teve origem. 

Tradicionalmente, as batatas fritas são feitas no estilo rústico, ou seja, cortadas grosseiramente, mais espessas do que as americanas. O peixe comumente utilizado é de água salgada, normalmente arinca ou bacalhau, coberto por uma mistura de farinha de trigo, ou “farelo de pão”, e água, ou mais raramente cerveja, para assim ser frito empanado. Para temperar, água e vinagre é a escolha mais comum entre os britânicos. O molho tártaro foi acrescentado aos acompanhamentos pelos americanos. Nos pubs ingleses, o acompanhamento fica por conta de um purê de ervilhas.

De acordo com John K. Walton, especialista em história do turismo inglês, a partir da metade do século XIX o preparo se tornou fonte de alimentação rápida e barata entre a classe operária inglesa.

As comidas favoritas do século XXI vieram desta combinação: trabalhadores e comida barata. Quer exemplos? Hot dog, hambúrguer, sushi (sim, era prato de rua na construção de Tóquio, no Período Edo japonês) e várias outras receitas práticas, que usam poucos (ou singelos) ingredientes e dão “sustança”.

🙂

Inicialmente, comercializado nas ruas de Londres embrulhado em papel absorvente e jornal, o peixe com fritas caiu no gosto dos britânicos, e hoje faz parte do cardápio de restaurantes de todo país. E é lógico que o preparo ganhou o mundo com sua receita tradicional e releituras.

E a batata, não posso terminar este post sem falar dela, afinal, é nossa, da América. A gente aqui chama de “batata inglesa” a batatinha mais comum, mas a espécie teve origem no Cordilheira dos Andes, próximo ao Lago Titicaca, e foi levada a outras regiões do mundo por colonizadores europeus. Consta que a espécie começou a ser cultivada por civilizações andinas há cerca de oito mil anos e o cultivo foi aperfeiçoado pelos Incas, que utilizavam, inclusive, técnicas de irrigação e que foram os espanhóis que introduziram a espécie na Europa (lá pelo século XVI), levando para o Velho Continente o que se tornaria um alimento fundamental para quase todos os países.

E aí, ficou com fome?

Eu fiquei!

Espero que tenha estimulado seu paladar e deixado boas ideias para o final de semana em família!

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