A data de nascimento e de adoção de filhos passará a fazer parte das informações que poderão ser colocadas no Currículo Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa foi aprovada pela Diretoria Executiva da agência no último dia 19 de março.

Essa informação será de preenchimento facultativo, no campo de Dados Pessoais, tanto para homens quanto para mulheres, e não será exibida nas consultas públicas dos currículos, podendo, no entanto, subsidiar o levantamento de dados e a realização de estudos sobre o impacto da maternidade e da paternidade na carreira científica.

A proposta foi motivada por um demanda apresentada pelo grupo Parent in Science e subscrita por várias associações científicas que sensibilizou a Diretora de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPq, Profa. Adriana Tonini, que encaminhou a proposta à Diretoria Executiva neste mês.

Para Adriana Tonini, “trata-se de um avanço importante, que permitirá conhecer, de maneira abrangente, dados sobre o impacto do nascimento ou adoção de filhos na produtividade e na carreira de mães e pais cientistas. Como o Currículo Lattes é uma base de dados largamente utilizada, as informações poderão servir de subsídio para diagnósticos, avaliações e outras iniciativas sobre a temática”.    

Com a aprovação, a proposta seguirá fluxo de desenvolvimento e implementação, devendo estar disponível para preenchimento no Currículo Lattes nos próximos meses. 

O fomento a ações de promoção da equidade entre homens e mulheres na ciência e tecnologia é uma das principais exigências mundiais da área. No caso brasileiro, iniciativas nesse sentido são particularmente importantes, pois há um cenário em que, apesar do número crescente de mulheres que recebem bolsas de formação, elas ainda são minoria em algumas áreas do conhecimento (nas ciências exatas, engenharias e computação) e em algumas bolsas de maior prestígio (como a Bolsa de Produtividade em Pesquisa). Parte da discussão sobre implementação de políticas para fomento à participação de mulheres na C&T é dirigida à atração de mulheres para a área; outra parte também importante é a mudança de determinados mecanismos de exclusão ou estagnação na carreira científica.

O CNPq tem sido pioneiro na discussão e enfrentamento do tema. O Programa Mulher e Ciência, criado em 2005, foi o vetor de uma série de iniciativas que promovem um ambiente mais equânime no campo da ciência, da tecnologia e da inovação, com destaque para a aprovação da prorrogação de bolsas – por um período de 4 ou 12 meses, a depender da modalidade da bolsa – em caso de parto ou adoção.

A Plataforma Lattes é uma base de dados virtual que hospeda os currículos de todos os pesquisadores com atividade ou que tiveram atividade no Brasil, ou seja, desde alunos de graduação até cientistas e professores com longa carreira. A plataforma cresceu tanto que além dos dados individuais, também reúne informações sobre grupos de pesquisa e instituições em um único ambiente, tornando o planejamento, solicitações e gestão de recursos mais organizado.

Isso acontece porque a Plataforma Lattes foi desenvolvida e é mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), um dos principais fomentadores da pesquisa brasileira.

Devido à organização dos dados que o sistema oferece, segundo o site do CNPq, a análise do Currículo Lattes também é utilizada por outros órgãos de fomento estaduais e federais para oferecer bolsas de pesquisa, como é o caso da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e outras agências.

Instituições federais e estaduais de ensino e pesquisa também avaliam os currículos em processos seletivos de pós-graduações, além da avaliação geral dos dados poder colaborar nas políticas públicas focadas em ciência, tecnologia e inovação, motivo pelo qual é tão importante que todos os pesquisadores brasileiros tenham um Currículo Lattes cadastrado e o mantenha atualizado.

Hoje em dia é bem comum que alunos de graduação sejam incentivados por seus professores a criarem suas contas na plataforma ainda em seus primeiros anos de faculdade, adiantando procedimentos no caso de, futuramente, eles desejarem começar uma pesquisa de iniciação científica ou ainda ingressarem em alguma pós-graduação, já que o Currículo Lattes exigido por agências de fomento no momento de pleitear uma bolsa e por instituições que oferecem programas de mestrado e doutorado.

Ao disponibilizar as informações sobre os pesquisadores e as instituições na internet, por meio da Plataforma Lattes, o CNPq justifica que também está agindo com transparência e confiabilidade de suas ações e demais agências fomentadoras, além de possibilitar que os currículos sejam pesquisados para promover mais intercâmbios de conhecimento e “preservar a memória da atividade de pesquisa no país”.

Se você pretende entrar ou permanecer no meio acadêmico, não esqueça de criar seu Currículo Lattes e mantê-lo atualizado.