Um debate muito construtivo surgiu no grupo Mães (e pais) com filhos a partir da notícia que dizia que “Os piores alunos do ensino médio estão se tornando professores. E isso é preocupante“.

O artigo da Gazeta do Povo, que trazia entrevista com João Batista Araújo e Silva, Ph.D. em Pesquisa Educacional pela Universidade do Estado da Flórida (1973) e presidente do Instituto Alfa e Beto, partia do pressuposto de que o problema central do sistema educacional está na forma de recrutamento para quem quer se tornar docente.

Ao analisar o enorme contingente de alunos abaixo do nível aceitável, acompanhado de preocupantes índices de analfabetos absolutos e funcionais no Brasil, o especialista diz que “não são culpa (apenas) da má qualidade de formação que algumas universidades oferecem aos futuros professores ou de escolas com péssima gestão”. Em seu ponto de vista, o problema central do sistema educacional está na forma de recrutamento para quem quer se tornar docente, e que é necessário “selecionar pessoas de mais talento e bagagem intelectual para a carreira de professor”, mas salienta que, para mudar o quadro, “o Brasil tem que fazer uma tarefa de 30 anos – que não começou ainda”.

A conversa continua no grupo, com pessoas como o publicitário e estudante de Pedagogia Rafael lembrando que “os piores alunos estão tomando conta de quase todas as profissões, a gente vê cada coisa no mundo das agências e de empresas também“. Fernanda comentava que em Portugal também saiu uma notícia dessas recentemente.

A professora Eveline comentava que os melhores alunos querem os melhores salários, o curso de licenciatura é barato e nas universidades públicas os menos concorridos. A profissão professor é dura, muito mal remunerada e muito estressante, todos os problemas da sociedade aparecem na escola pública. 

Mas foi Flora quem me fez pensar além:

“Vamos pensar do lado do “mau aluno”… Será que ele não quer simplesmente ter a chance de ensinar alguém melhor do que o ensinaram? Ou será que ele não era um mau aluno e tinha notas baixas simplesmente porque não gostava da forma como a matéria era passada e quer, agora, mudar isso? Acho que é uma reflexão a se fazer…”

A reflexão que ela propôs me lembrou de um filme que vi neste começo de ano na Netflix com meu filho, de 16 anos, e que já pensou em ser professor, de certa forma motivado por séries como Merlí.

http://www.avidaquer.com.br/entendendo-a-espanha-de-franco-atraves-de-series-na-netflix/

 

Em Sementes Podres o iraniano Kheiron é o protagonista, diretor e roteirista de uma história que começa parecendo clichê e surpreendem positivamente o tempo todo, em grande parte pela excelente participação de Catherine Deneuve – como uma mulher linda pode surpreender mesmo depois de envelhecer, fazer piada da própria aparência e idade e, sobretudo, usar seu nome e fama para coisas ótimas? Ela pode!

 

Sobre o filme:

Wael estava com o destino escrito, e não era dos melhores. Acostumado a aplicar golpes com sua amiga Monique (Catherine Deneuve), era certo que ele acabaria morto ou preso. Embora as condições para o sucesso dos golpes serem um tanto quanto forçadas, provocam boas risadas no público. E quando um desses golpes dá errado, é dado o ponta pé inicial para o que viria a se tornar o principal enredo do filme.”

E aqui entra a parte que relaciona com o que escrevi acima:

Um mau aluno pode ser um ótimo professor?

No filme Sementes Podres, para evitar ser preso, Wael acaba aceitando a proposta de Victor (André Dussollier). O homem gerencia um centro beneficente para crianças reprovadas na escola. que comanda uma espécie de organização beneficente que tenta recuperar crianças reprovadas. Fugimos do esterótipo clássico dos jovens delinquentes envolvidos com tráfico. Aqui, os adolescentes não conseguiram passar de ano na escola, e agora estão sofrendo uma punição. E para observá-los, Victor contrata Wael.

Uma mistura muito equilibrada de comédia e drama, mas sobretudo uma reflexão valiosíssima! Recomendo muito, muito, muito!