Programa para o final preguiçoso do domingo: conferir o revival de Karate Kid. Não estou falando daquele filme com trilha sonora do Justin Bieber, passado na China e com golpes de King Fu.

Estamos assistindo em família Cobra Kai, a série do YouTube Red (uma espécie de Netflix dentro do YouTube, acessível através de assinatura, o chamado conteudo Premium).

A série de televisão surgiu 34 anos depois do filme original e segue a reabertura do dojo de karatê Cobra Kai, por Johnny Lawrence e a reativação de sua antiga rivalidade com Daniel LaRusso. Estrelado por William Zabka e Ralph Macchio, que reprisam seus papéis dos filmes, nos fazendo repensar vários conceitos sobre o filme original, em especial sobre quem era o bully e quem era a vítima da história. O tempo, a história e a vida mostram que as coisas não são tão “preto no branco”! 🙂

Revisitando filmes, a gente vai percebendo como no mundo contaminado pela “Guerra Fria” do século XX ainda vivíamos sob um viés maniqueísta, do certo e errado absolutos e de percepções imediatistas nos julgamentos definitivos.

Há um ano e pouco, no lançamento de Star Wars VII, Mark Hamill chocou os fãs da saga ao declarar que seu personagem na série, o Jedi Luke Skywalker, sempre foi um vilão.

“Para todos vocês com teorias sobre o filme, saibam que o Luke SEMPRE foi o vilão (em certo ponto de vista)”, afirmou o artista em sua conta no Twitter em tom de brincadeira.

 

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Ao rever outros filmes dos anos 1980, ideia que me surgiu depois de assistir The Americans (excelente série, que recomendo muito!), foi fácil para mim notar este olhar corrompido que eu tive dos “enlatados de USA, de nove as seis”, citando o filósofo da minha geração, Renato Russo.

 

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Fiz uma sessão #nostalgia hoje com os filhos adolescentes e vimos Curtindo a vida adoidado. O filme, de 1986, parece antiquado nas máquinas (sou falta delas), mas me pareceu incrivelmente atual nas necessidades da idade, diferenças das gerações, descompasso entre pais e filhos, desejo de viver logo uma vida que o excesso de escola para fazer a vida dar certo suga e posterga para depois da faculdade. Parte da ansiedade da adolescência deve vir dessa “nossa” (dos “adultos”) mania de exigir uma postura de máquina de quem está no auge da energia e da curiosidade com o mundo! Reforçou muito minha opinião sobre a necessidade de “desescolarizar” as pessoas para que elas possam ser mais plenas! 😉 E você, já reviu esse clássico? Está no catálogo da #netflix e vale para rever conceitos. (Role para ver como o elenco está hoje. E pasmem(!), tinha #charliesheen no filme!) #matthewbroderick #streamteam #netflixbrasil #ferrisbuellersdayoff #miasara #alanruck #curtindoavidaadoidado #agentenaoquersocomida #avidaquer @avidaquer por @samegui avidaquer.com.br

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O que Karate Kid nos traz é uma percepção sobre a vida completa dos personagens, sobre as escolhas, sobre resultados. Star Wars VII trouxe isso também, lembram? O que seria de fato uma família formada por uma princesa guerreira, que se tornou órfã no parto, criada sem saber da existência do irmão gêmeo, traumatizada por um período como escrava sexual, que teve um filho com um pirata interestelar nada afeito as regras e a vida “convencional”, tudo isso num mundo nada nada nada normal? A gente romantiza, mas a situação não é nada boa e os prognósticos não eram mesmo positivos.

(Se você é cristão, deve ter várias teorias, eu também, mas isso a gente conversa lá no @biblianafamilia, combinado? Mas já adianto: eu entendo que “faltou Deus” na vida destas pessoas, mas sobretudo faltaram bons cristãos que vissem além da mãe solteira do Johnny que vivia uma relação abusiva com o padrasto e que, em atitudes de amor e exemplo das Boas Novas, mostrasse a eles o amor de Cristo. Ou seja, faltou uma comunidade cristã naquele bairro periférico que vivesse além das paredes da sua igreja, que fosse o Sal da Terra e a Luz do Mundo para pessoas como o jovem ou o coroa Johnny, como o Sr Miyagi – certo ou errado, numa fé diferente, mas com humanidade e persistência, foi para Daniel um dia.)

Cobra Kai traz parte disso.

A vida de Daniel e de Johnny seguiu e na “meia idade” eles se deparam com o que conseguiram fazer depois do Ensino Médio com base no que eles receberam das figuras que tinham como exemplos e como “apoio”, os faróis das suas vidas: os senseis. Os dois são retratados no filme original como “filhos adolescentes problemáticos” com “mães solteiras” (no inglês, Single Mom é a mulher que não vive com o pai do filho, independente de sua situação legal) e, como mostra a nova série, são figuras que receberam um carimbo e por isso tiveram apoio ou não para mudar de vida, configurando suas opções por décadas.

A primeira coisa que pensamos no capitulo inicial é: quem fazia bullying? Ao voltar ao filme original, no mínimo a gente fica na dúvida sobre isso.

[alerta, o vídeo tem MUITOS SPOILERS]

[fim dos spoilers]

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