Bienvenue à Marly-Gomont (2016) foi meu último filme de 2018, vi no entardecer do dia 31 na Netflix. Valeu, gracinha de filme para família com uma mensagem forte e valiosa para a época que vivemos.

O fato de ser uma história real faz a gente pensar muito sobre a temática da diferença racial e cultural, apresentada no filme de um jeito engraçadinho. Mas, no meio de tudo, é tocante ver a luta de um homem para se impor, ser respeitado e aceito numa sociedade inteiramente branca.

Se você acha que isso é coisa de filme ou de europeu, vou te contar uma história:

Em 1969, meu pai foi atuar como gerente de uma agência bancária em Porto Alegre. Por meses, famílias (mães ou pais com filhos) entravam na agência para MOSTRAR para as crianças um JAPONÊS porque a maioria nunca tinha visto um AMARELO de perto!

Chocante, né?

Como o personagem do filme, meu pai conta que entrava na “brincadeira”, chamava para sentarem a sua mesa, dizia para as crianças que podiam tocar nele, coisas assim!

Eu ria, quando era pequena, mas pensava muito no que significava em termos de “pertencimento” para ele que, apesar de ser filho de japoneses, é brasileiro.

Mas voltando ao médico africano…

O filme propõe uma reflexão sobre o quanto vale deixar suas raízes e lutar por aceitação, um dilema que fica claro no jeito como a esposa (vivida por Aïssa Maïga) reage a vida na pequena vila europeia, sua convivência com os parentes africanos radicados em Bruxelas e o jeito de Seyolo Zantoko (vivido por Marc Zinga) e os filhos, que se tentam se ajustar na escola.

O quanto você se submeteria a isso? Como li num comentário num fórum, é interessante poder discordar do personagem principal, mas continuar torcendo para que ele consiga vencer!

Também conhecido como “African Doctor”, esse é um filme francês de comédia e drama baseado na vida do pai do músico Kamini, co-escrito por Kamini e dirigido por Julien Rambaldi.