A gente diz isso na escola pública, nas três instituições públicas nas quais meus filhos estudam, sendo uma municipal, outra estadual e outra federal:

– Sejam bem vindos filhos de refugiados e imigrantes.

Por essas e outras, hoje eu sei que a escola pública é o espaço para formar boas pessoas. O “mercado” pode exigir networking desde cedo (quando mudei para Sampa uma pessoa me disse isso ao indicar uma escola particular), mas o mundo pede pessoas que se importam com pessoas.

Aqui tem sido impactante, meu bairro acolheu haitianos, bolivianos e agora venezuelanos. Na escola da minha filha de 5 anos tem também alguns árabes que nem falam português, mas estão acolhidos.

Olho para eles pensando no meu pai, filho de japoneses, nascido na Segunda Guerra, e mais brasileiro que muitos quatrocentões paulistas de sobrenome “brasileiro”.

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Foto dos pais do meu pai @edsonshiraishi: minha batian Matsuno, que nasceu no norte do Japão (Niigata) e meu ditian Sadanori, que nasceu no sul do Japão (Fukuoka), tipos bem diferentes, embora “japoneses puros” os dois 🙂 Essa coisa de “pureza de sangue” é tão relativa, não é? Mas ainda me cobram que eu tenha mais “aparência de japa”, sabem? Porque o povo quer fazer a gente caber nas categorias, caixinhas e ideias que garante seu conforto psicológico e emocional. ❤ #obrigadasenhor #pequenasalegrias #contesuasbênçãos #maisamorsemfavor #menospresentemaispresença #maecomfilhos #familiasns #mestiça #sansei #shiraishis #diadosavós #fukuoka #niigata #japan #nikkei #tbt #1968

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Vi um update num grupo de educação francês que participo que dava conta de que crianças pequenas, filhas de refugiados, chegam na escola com fome. Na hora comparei com a nossa atual escola pública e preciso registrar que nós caminhamos muito como sociedade, como Estado que cuida dos seus menores e como Nação.

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Ainda temos um longo caminho, mas aqui uma criança de pré-escola não passa fome. Tomam café (da manhã ou da tarde) e almoçam comida fresca, sem superindustrializados.

Na cidade de São Paulo as EMEIs dão uniforme (completo, com calça, jaqueta, bermuda, 6 camisetas e 6 pares de meia e um par de tênis – tudo de ótima qualidade, os da Manuela estão em perfeito estado e só o calçado e meias, pelo tamanho, não poderão ser reaproveitados) e material escolar completo, inclusive para usar em casa (para incentivar a criatividade, pois não há dever de casa nesta etapa). E, coisa que meus filhos mais velhos nunca tiveram nas escolas particulares, há uma pequena biblioteca e brinquedoteca por sala, além da roda de leitura diária e do clube do livro que vem para casa quinzenalmente.

A pré-escola é um dos elementos que pode mudar o mundo!

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A parte chata de ter um filho que usa um sistema operacional diferente do seu é não saber como indicar “aquele podcast” super legal que você sabe que ele vai adorar. Precisamos te trazer pro lado 🍎, @enzobuzz! Por outro lado, esse papo é fácil com o filho que tem o mesmo celular que o seu, né @giorgio_sns? Se você gosta de podcast e de ciência, indico esse episódio sobre o que tem de errado com nossos corpos, ouvi na quarta-feira e aprendi me divertindo! E o que explica a relação entre acesso à educação na pré-escola e a desigualdade social é i-n-c-r-í-v-e-l! https://itunes.apple.com/br/podcast/innovation-hub/ #obrigadasenhor #abraçosquecuram #encontrosquetransformam #pequenasalegrias #contesuasbênçãos #maisamorsemfavor #menospresentemaispresença #maecomfilhos #familiasns #podcast #inovacao #innovationhub #stem #mulheresnaciencia

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Nas escolas estaduais de São Paulo, todo material é ofertado gratuitamente (livros, cadernos, lápis, caneta, borracha, etc). Meu filho faz Ensino Médio numa escola estadual de turno integral e nunca exigiram uniforme dele (ou seja, se não pudéssemos pagar, não seria barrado). Ele toma café da manhã, almoça e lancha na escola, onde fica das 7h20 as 16h. A escola conta com laboratórios (de Biologia e Química), Anfiteatro, Biblioteca, Sala de Multimídia, armários para guardar os materiais (como nos filmes americanos, no corredor), as salas de aula são super iluminadas e ventiladas, as carteiras compatíveis com o tamanho dos alunos (não dividem com crianças pequenas, pois lá tem apenas Fundamental 2 e Médio, são todos adolescentes).

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Hoje foi dia de visitar a escola do @giorgio_sns, pegar o boletim e ouvir os relatos da direção e dos professores sobre o desempenho social e escolar dele. Notas ótimas (10 em Filosofia e e Geografia, 9 em Biologia e Inglês, só pra citar algumas), muitos elogios à liderança e ao caráter dele, um puxãozinho de orelha das conversas na aula de Matemática na qual ele é nota 8, mas tem atrapalhado um pouco o novo professor. Visito a escola já com saudade antecipada, pois sei que o próximo ano será o último dele antes da faculdade. E sobre esse ciclo, o #terceirão e o #projetodevida, eu fiquei horas conversando com Inês e @arianebonansea, compartilhando meu desejo de incentivar a turma do meu filho na #escolapublica a sonhar com um futuro que faça jus aos seus talentos. Vem novidade boa por aí, um sonho compartilhado com @ghizellini que me faz sorrir cada vez que penso. (as fotos são na #saladeleitura, lugar mágico!) #obrigadasenhor #pequenasalegrias #contesuasbênçãos #maisamorsemfavor #menospresentemaispresença #maecomfilhos #cidadania #sejaamudança #filhoadolescente #familiasns

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E tem imigrantes. Na apresentação de final de ano do meu filho, a Culminância, uma das colegas era estrangeira e teve dificuldade de falar sua parte, sendo prontamente apoiada por colegas. Não é a primeira, tampouco a única da escola que é imigrante ou é filha de imigrantes que chegaram recentemente ao Brasil.

A Culminância é o dia de fechamento dos projetos culturais desenvolvidos no semestre em disciplinas eletivas que contam com mentoria de dois professores de diferentes disciplinas (no caso era Português e História) e envolve alunos de diferentes séries (do 5o ano do Fundamental 2 ao 3o Médio) que se aproximam pela afinidade com o tema escolhido livremente por eles.

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Hoje foi dia de #VerdadesCantadas na apresentação da turma de disciplina #eletiva do @giorgio_sns no colégio. Gosto muito dessa proposta, parte do currículo das escolas integrais, que mescla por interesses alunos de diversas turmas (do 6º ano do Fundamental ao 3° Médio), sob coordenação de 2 professores de matérias distintas, encontrando pontos em comum num projeto fora do currículo. Meu filho já fez, por exemplo, treinamento físico e estudo histórico-filosófico da Grécia num projeto sobre Esparta, e dessa vez o objeto de estudo foram as músicas de #MPB e os festivais da canção se posicionando sobre o momento político dos idos de 1960/70. Bonito, forte e significativo, do começo (que teve meia hora de um grupo de meninas cantando #hinoscristãos acompanhadas do professor ao teclado, fazendo hora até à diretora @arianebonansea chegar) ao fim (com todos, pais, alunos e professores cantando #geraldovandre). 🎶Caminhando e cantando e seguindo a canção”🎶 Que benção é ver meninos e meninas como meu filho e seus amigos iluminando o mundo por onde passam. 🙏🏼🙌🏼 #obrigadasenhor 🎶Bendito seja o nome do Senhor, a ele a honra, a ele a glória e o louvor 🎶 #contesuasbencaos #maisamorsemfavor #menospresentemaispresenca #familiacristã #vidasimples #escolapublica #mooca #mmdc #shiraishis #familiasns

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Agora, saindo da educação e indo para a adaptação… entrei numa conversa interessante com uma blogueira portuguesa de quem sou amiga virtual há muitos anos, a editora do Mãe e muito mais, sobre os refugiados e como eles se portam.

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Eu não sou europeia e não posso opinar sobre o que sentem lá com a onda de refugiados. Mas eu sou neta e bisneta de imigrantes, fui migrante e meu filho mais velho quase nasceu apátrida.

http://www.avidaquer.com.br/brasileirinhos-apatridas/

No meu estado natal, o Paraná, há até legislação do início da República (li no livro do Claudio Seto, que pesquisou a fundo o tema) recomendando que não fizessem contratos com companhias de imigração japonesas porque eles não se misturavam, não aprendiam o idioma e não pretendiam se integrar. E era verdade, viu? Só 4 décadas depois do primeiro navio chegar aqui e com a derrota do Japão na Segunda Guerra que a “colônia japonesa” se abriu aos poucos, mas ainda tem muita gente que nasceu no Brasil e fala com sotaque.  Os alemães e italianos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul também foram assim!

http://www.avidaquer.com.br/claudio-seto/

Então, vale a gente pensar que é imprescindível criar e manter uma “política migratória“.

http://www.avidaquer.com.br/lei-de-migracao

Nesta semana eu eu comentei isso num grupo de brasileiros que moram no Japão uma comunidade da qual já fiz parte, que acompanhei também como jornalista e que vive num gueto, a margem da sociedade, há mais de 3 décadas.

Vi uma notícia sobre a mudança da lei que aumentará o espaço para imigrantes no Japão e lembrei que quando eu trabalhava em autopeças (em Kosai) tinha muitos grupos da Malásia e Nova Zelândia, exatamente dos convênios citados na reportagem. E eles trabalham por muito menos do que os brasileiros, além de aceitarem morar em condições bem piores!

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Desta notícia, eu vejo dois pontos importantes para a comunidade nipobrasileira acompanhar e, se possível, reagir:

– o governo deveria cuidar melhor da integração dos estrangeiros ao país, de modo que eles consumam produtos locais e paguem impostos, e que também recebam apoio para assimilar os hábitos culturais e a língua local

– a falta de trabalhadores é mais sentida nas pequenas cidades do interior e (sem citar fontes) a reportagem diz que as fábricas de autopeças sofrem com a falta de trabalhadores. Enfim, se os brasileiros não querem mais estes locais ou serviços, outros menos qualificados ou menos exigentes assumirão, mas, é um fato, o ingresso deles vai BAIXAR salários e pode fazer RECUAR muitos direitos adquiridos.

Sobre os trabalhos que as pessoas não querem fazer e os imigrantes fazem, convenhamos, esta é a nossa realidade, é a da Europa e pelo que mostra o parlamento japonês, é a do extremo Oriente também. Falei disso outro dia quando comentei o imbroglio dos médicos cubanos. A gente não quer fazer certos serviços, mas também evita acompanhar as notícias sobre quem faz e como faz, o que está totalmente errado!

http://www.avidaquer.com.br/medicos-cubanos/