“O racismo ainda persiste durante o envelhecimento”, afirma o doutor em saúde pública e gerontologia pela USP Alexandre da Silva. Há 20 anos, ele pesquisa temas relacionados à velhice da população negra e identificou marcas profundas da desigualdade nessa fase da vida.”

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Este excerto me lembrou de um aviso que recebi, como jornalista, do Ministério da Saúde no dia do idoso.

Os idosos representam 14,3% dos brasileiros, ou seja, 29,3 milhões de pessoas.

Em 2030, o número de idosos deve superar o de crianças e adolescentes de zero a quatorze anos.

Em sete décadas, a média de vida do brasileiro aumentou 30 anos saindo de 45,4 anos, em 1940, para 75,4 anos, em 2015.

O envelhecimento da população tem impactos importantes na saúde, apontando para a importância de organização da rede de atenção à saúde para a oferta de cuidados longitudinais.

Como cuidar desta parte da população? Podemos partir do que sabemos:

  • As doenças crônicas não transmissíveis atualmente afetam boa parte da população idosa.
  • De acordo com pesquisas anteriores promovidas pelo Ministério da Saúde, 25,1% dos idosos tem diabetes, 18,7% são obesos, 57,1% tem hipertensão e 66,8% tem excesso de peso.
  • Também são responsáveis por mais de 70% das mortes do país.

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E continuar mapeando essa parcela da população ajudará a planejar, criar, manter e expandir as políticas públicas que podem ajudar.

Por isso achei o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) valioso. Ele faz parte de uma rede internacional de grandes estudos longitudinais sobre o envelhecimento e traz informações sobre como a população está envelhecendo e os principais determinantes sociais e de saúde. A ideia é que esse estudo traga subsídios para a construção e adequação de novas políticas públicas para fortalecer a saúde do idoso.

Vejam o que o estudo levantou:

  • 75,3% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde
  • 83,1% realizaram pelo menos uma consulta médica nos últimos 12 meses
  • nesse período, 10,2% dos idosos foram hospitalizados uma ou mais vezes
  • quase 40% dos idosos possuem uma doença crônica
  • 29,8% possuem duas ou mais como diabetes, hipertensão ou artrite
  • cerca de 70% dos idosos possuem alguma doença crônica

“Nós temos que cuidar da saúde dos brasileiros desde a infância para que eles tenham uma vida cada vez mais saudável. Isso significa voltar nossas ações para uma alimentação saudável, para a promoção de atividades físicas, inibir o consumo do álcool e do tabaco, e ainda para as pessoas com idade acima de 60 anos, oportunizar o diagnóstico de doenças de forma cada vez mais precoce. É dessa maneira que podemos oferecer à nossa população um envelhecimento saudável”, afirmou o Ministro da Saúde, Giberto Occhi.

O que seus candidatos (não falo dos candidatos a presidente, mas ao governo estadual, assembleia legislativa, câmara e senado) dizem sobre este tema?

 

P.S. Uma descrição sucinta do ELSI-Brasil foi publicada na revista The American Journal of Epidemiology: Lima-Costa MF, de Andrade FB, de Souza PRB, Neri AL, de Oliveira Duarte YA,Castro-Costa E, de Oliveira C. The Brazilian Longitudinal Study of Aging (ELSI-BRAZIL): Objectives and Design. Am J Epidemiol. 2018 Jan 31. doi: 10.1093/aje/kwx387.
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