Achei que tinha aprendido isso nas inúmeras mudanças de cidade da minha infância, acompanhando meu pai, que a cada 2 anos tinha uma nova agência bancária do interior para “botar nos eixos”. Depois com minhas avós, que perdi com intervalo de meses acometidas respectivamente de um derrame e um infarto.

Foi quando meu filho, então com 5 anos, virou uma bola na boca de um pitbull quando passava férias sem mim que eu acordei para todos os abraços que podia ter dado. Na viagem que fiz, enquanto a cirurgia que lhe salvou a vida acontecia, eu só pensava nos seus bracinhos me abraçando o pescoço e pedindo para não largar nunca mais.

Depois disso perdi amigos que me fazem falta quase todo dia (a cada nova série que iam adorar ou criticar, a cada tarde de sol no Ibirapuera) e agradeço por ter dado aquele abraço, feito aquela ligação longa quando não podia ir, tuitado conversando com eles em várias madrugadas.

E é por isso que tento viver cada dia como se fosse o último, porque se não for, com certeza é o único. Não há duas ocasiões iguais, cada momento em que escolhemos amar alguém é incomparável.

Então, se seu pequeno pedir para abraçar mais forte e mais uma vez, se sua amiga apertar mais o laço de um abraço, se seus velhinhos estiverem com aquele olhar de quem precisa de um pouco mais da sua presença, não se apresse. Aproveite e viva aqueles segundos extraordinários. Dê-se essas pequenas alegrias e se fortaleça nos abraços e nos encontros.