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“Quem já passou por isso sabe o quanto custa para uma pessoa deprimida ser obrigada a se relacionar. Mas ao que parece, para as mulheres, nos trancarmos no quarto, nos escondermos sob o travesseiro, não querer ser gentil, social e cordata o tempo todo não é uma opção bem aceita. Se somos o esteio emocional da família, como podemos falhar?”

Texto importantíssimo de Maíra Liguori no Think Olga.

http://thinkolga.com/2017/07/13/disponibilidade-emocional-nao-e-obrigacao-da-mulher/

Em um estudo profundo sobre disponibilidade emocional, publicado em 2005 por Rebecca J. Erickson, todas essas tarefas estão atreladas não ao sexo, mas ao conceito de gênero feminino que se estende séculos a fio. Não somos “melhores” em emoções: somos educadas para acreditar que sim. A pior parte nisso tudo? Essas construções culturais e sociais são exploradas por outros.

Em 1969, o psicólogo John Bowlby criou um conceito inovador para a comunidade psicanalítica: a “teoria do apego“, que descreve a relação entre mãe e filho, a interdependência de ambos e as expectativas e consequências dessa relação.

http://www.avidaquer.com.br/criacao-com-apego-e-o-livro-the-successful-child/

Esse termo, tão popular entre pais que buscam uma relação próxima com os filhos, se tornou popular e hoje a conversa sobre a ideia de disponibilidade emocional em todas as relações afetivas, não apenas na maternidade, se expandiu, mas ainda é um tema relacionado à mulher.

No entanto, como nos convida a pensar o texto que indiquei, afinal…

 

O que é estar emocionalmente disponível para o outro?

O que Think Olga traz para nossa reflexão é o fato de que “para a mulher, a disponibilidade emocional é obrigatória em todos os campos de sua vida“.

Desde a infância, somos estimuladas a sempre acolher, cuidar e ouvir. Somos a parte da população que “sabe abrir o coração”, que “tem talento para falar de sentimentos”.

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Como mãe de rapazes, adolescentes do sexo masculino, eu tenho avaliado e questionado muito minha predisposição de pensar no mundo assim. Faço votos, honestamente, que eu esteja conseguindo sair desta formatação da sociedade e que consiga ajudar meus filhos, os meninos e a menina, a serem pessoas emocionalmente mais saudáveis na sua vida adulta também.

A teoria do apego foi estendida para relacionamentos românticos em adultos no final dos anos 1980 por Cindy Hazan e Phillip Shaver.

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Quatro estilos de apego foram identificados em adultos: seguro, preocupado-ansioso, desapegado-evitativo e assustado-evitativo. Eles correspondem grosseiramente às classificações de recém-nascidos: seguro, inseguro-ambivalente, inseguro-evitativo e desorganizado/desorientado.

Especialistas afirmam que os tipos se apresentam assim:

  • adultos com apego seguro tendem a ter uma visão mais positiva de si mesmos, de seus companheiros e de seus relacionamentos, se sentem confortáveis com a intimidade e independência, equilibrando os dois.
  • adultos preocupados-ansiosos buscam por níveis mais altos de intimidade, aprovação e resposta de seus parceiros, tornando-se excessivamente dependentes, tendem a ser menos confiantes, ter uma visão menos positiva de si mesmos e de seus parceiros, e podem apresentar altos níveis de expressividade emocional, preocupação e impulsividade em seus relacionamentos.
  • adultos desapegados-evitativos desejam um alto nível de independência, muitas vezes evitando apego completamente, veem a si mesmos como auto-suficientes, invulneráveis a sentimentos de apego e não necessitando de relacionamentos próximos e tendem a suprimir seus sentimentos, lidando com a rejeição distanciando-se de seus parceiros de quem eles geralmente têm uma opinião negativa.
  • adultos assustados-evitativos têm sentimentos mistos sobre relacionamentos, tanto desejando quando sentindo-se desconfortáveis com intimidade emocional, tendem a desconfiar de seus companheiros e enxergam-se como desprezíveis, e, como os desapegados-evitativos, os assustados-evitativos tendem a buscar menos intimidade, reprimindo seus sentimentos.