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Imagens de crianças pequenas no Japão indo sozinhas para a escola têm circulado pela internet e causado reações de admiração e espanto. Eu morei lá logo que casei, engravidei do meu primeiro filho morando numa municipalidade de Tóquio que lembra muito as ruas da reportagem que incluo no final do post e sou testemunha disso.

Era curioso porque os brasileiros têm vontade de dar carona, cuidar, evitar que tomem chuva ou saiam sob a neve, mas as escolas insistem que não façam nada disso. Na redação do jornal no qual eu trabalhava, um casal de brasileiros (não descendentes) tinha 2 filhas em idade escolar, mais ou menos do equivalente ao Ensino Fundamental 1. E os pais, zelosos, paulistanos acostumados com outra realidade, sofriam muito por ter que deixar que elas fossem e voltassem sozinhas!

No entanto, vejam só, é realmente seguro. E no final dá certo!

Essa independência toda não existe só por causa da relativa segurança das ruas japonesas. Ela é possível graças a um esforço conjunto das próprias crianças, dos pais, das escolas e das comunidades do entorno para garantir que as viagens ocorram sem problemas.

É prática comum que os pais treinem o caminho com os filhos antes do início ou nos primeiros dias de aula. Caminhos esses (通学路 tsuugakuro) que são indicados pelas próprias escolas e podem contar com sinalização e voluntários que ajudam as crianças a atravessarem as ruas. Lojistas e moradores que ficam próximos às rotas também fazem parte da supervisão e suas propriedades podem ser indicadas como pontos de auxílio em casos de necessidade. E geralmente crianças de uma mesma vizinhança são organizadas em grupos para que caminhem juntas até a escola.

Assim espera-se que elas desenvolvam um senso de independência e responsabilidade desde pequenas. E funciona!

É interessante também ver esta reportagem (em inglês) que compara duas meninas, do Japão e da Austrália.

Tem vontade de fazer o mesmo aqui?

Há grupos que incentivam, sabia? Contamos dele no texto Carona a pé e também falamos dos benefícios (nas notas) para os adolescentes que vão a pé para escola.