“A violência começa quando a palavra perde o valor.
Para lidar com a violência doméstica, o primeiro passo é escutar.”

Há alguns anos um desabafo no meu blog contava de uma situação que testemunhei: uma mãe aconselhava outra a dar uns tapinhas no filho para ele ser mais obediente.

Sim, verdade.

E lembrei deste caso ao ver a repercussão e os comentários nas redes sociais sobre a Lei Menino Bernardo (PL 7672). A lei foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal neste mês e estabelece o direito de crianças e adolescentes de serem educados sem o uso de castigos físicos. O nome é homenagem ao menino Bernardo Boldrini, brutalmente assassinado no mês passado no Rio Grande do Sul.

Entendo que qualquer relacionamento deve ser construído com base no respeito. E respeitar fisicamente a pessoa é um dos princípios disso.

Instruo meus filhos a não aceitarem que as pessoas abusem fisicamente deles – e isso vai além de abuso sexual ou bullying, diz respeito a tudo. Precisamos ensinar nossas crianças desde cedo que agressão e carinho não são a mesma coisa e que eles não devem aceitar um pelo outro.

É como aquele conto do Roberto Shinyashiki da Carícia Negativa, do livro A Carícia Essencial (que pode ser lido aqui). Na falta de carícias positivas, o ser humano passa a aceitar as carícias negativas (maus-tratos, xingamentos, etc) para não ficar sem nada.

Não sei se este trabalho de formiguinha que fazemos nos blogs funciona, se conversar e orientar as pessoas que trabalham para nós ajuda, mas é preciso persistir. E, na dúvida, acionar Conselho Tutelar e outros órgãos competentes.

Dados do Unicef informam que 80% das agressões físicas são causadas por parentes próximos, refletindo uma realidade que vemos no Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), que concentra  informações de denúncias dos Conselhos Tutelares de todo o país. Em 2007 a Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância (Sipani) informava que 12% das 55,6 milhões de crianças menores de 14 anos são vítimas de alguma forma de violência doméstica por ano no Brasil – o equivalente à média de 18 mil crianças por dia.

Leia também:

🙂

Veja os posts sobre violência doméstica aqui no blog nos últimos anos:

As instituições de saúde também deverão comunicar o Conselho Tutelar de Crianças e Adolescentes sobre quaisquer ocorrências de embriaguez ou consumo de drogas por parte de crianças e adolescentes. Entenda um pouco mais sobre esse Projeto de Lei no post do blog Medicinia.

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