Demorou, mas parece que agora sai. Finalmente a Prefeitura de São Paulo iniciou a implantação do Plano Municipal de Resíduos Sólidos e nos próximos 20 anos promete reduzir de 98,2% para 20% o volume de lixo despejado nos aterros sanitários pela maior capital do país e maior cidade da América Latina.

Para tanto, até 2033, 30% dos paulistanos devem tratar em casa os resíduos orgânicos domiciliares, que correspondem a 51% das 20,1 mil toneladas de resíduos coletadas por dia na cidade. Para atingir a meta, o governo começa a distribuir gratuitamente, ainda esse mês, 2 mil equipamentos para que as pessoas façam, dentro de casa, a compostagem dos restos de alimentos, que viram adubo após o tratamento.

Mas e a Coleta Seletiva? 10% é muito pouco!

A prefeitura paulistana promete aumentar coleta pública seletiva de secos de 1,8% para 10%, até 2016, por meio da extensão do serviço para os 96 distritos do município, e a construção de quatro centrais mecanizadas de triagem.

Pelo planejamento, cada uma das centrais receberá das empresas concessionárias investimentos de R$ 35 milhões e processará 250 toneladas diárias de resíduos recicláveis. Isso possibilitará ao município triplicar sua capacidade de processamento, chegando a 750 toneladas por dia. A ampliação da coleta seletiva também pretende valorizar as cooperativas de reciclagem e a inclusão social dos catadores.

“O plano é resultado de um extenso processo participativo e internalizou as recomendações da 4ª Conferência Municipal do Meio Ambiente, promovida em 2013 no Anhembi”, lembrou o presidente da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), Silvano Silvério da Costa. A 4ª Conferência foi antecedida por etapas preparatórias, que contemplaram todas as regiões do município, com reuniões realizadas pelas 31 subprefeituras. No decorrer do processo, foram promovidas conferências livres e uma plenária composta por representantes de aldeias indígenas, com acompanhamento da FUNAI. A população teve a oportunidade de eleger delegados para a Conferência e discutir os problemas relacionados aos resíduos sólidos em cada região.

Acesse aqui o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Cidade de São Paulo.

Este assunto não é novidade por aqui, tratamos dele diretamente nos postsImplementação da Coleta Seletiva nas cidades-sede da Copa do Mundo e Um “gol sustentável” na Copa das Confederações.

Creio que além de incentivar a população a reduzir os resíduos orgânicos em casa, é imprescindível estimular a separação e reciclagem de materiais sólidos.

Acompanho desde 2011 a parceria da Doe Seu Lixo com a Coca-Cola Brasil, que dá suporte para o desenvolvimento de 300 cooperativas de catadores e estima que até 2014 apoiarão 500 cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos no Brasil. Estes grupos têm valor imenso para nossas cidades: sem coleta seletiva, três mil lixões no Brasil concentram grande parte do material reciclável e 80% da reciclagem são feitos em coletas nesses lixões, num trabalho inseguro e insalubre.

Mas as cooperativas respondem por apenas 20% da reciclagem no Brasil.

Enfim, há muito a se fazer! E parte deste trabalho é nosso!