Escrevi muito sobre periferia e costumo dizer que sou da periferia. Nas grandes cidades onde vivi – Curitiba, Toquio, São Paulo – nunca morei longe do centro, mas nasci e cresci no interior do Brasil e sei que as pequenas cidades são as periferias, no sentido de que estão à margem dos lançamentos e os avanços culturais e sociais demoram um pouco mais para chegar.

A internet resolveu boa parte disso. Se eu fosse hoje a menina da cidade de 15 mil habitantes (sendo 50% na zona rural!) no interior do Paraná ou a adolescente que atuava como voluntária em projetos sociais na capital, a internet teria amplificado imensamente minha voz, minha capacidade de engajar pessoas e de compartilhar as descobertas que melhorariam minha comunidade.

É nisso que penso quando vejo um evento como os Diálogos da Juventude.

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E é com grande alegria e honra que serei mediadora do debate no evento de inauguração do Centro de Referência da Juventude de Guarulhos. A cidade, vizinha de São Paulo, a caminho do Rio de Janeiro e, por força do Aeroporto Internacional, passagem de muitos de nós, vive um processo de recuperação da identidade. Por anos foi só “cidade-dormitório” e agora ganha um novo status com empreendimentos imobiliários e opções culturais.

Acompanho tudo com certa proximidade. Aline (@alinekelly), editora do Sustentável 2.0 e colaboradora do @avidaquer, é moradora de Guarulhos desde que nasceu e é na sua periferia, onde cresceu, estudou e foi orientadora em projetos sociais focados em empreendedorismo e protagonismo jovem, que ela escolheu criar seus 3 filhos.

Aline é a curadora deste evento e seu olhar extraordinário me deixou em excelente companhia neste sábado, vejam só a programação:

13h – COMUNICAÇÃO E MOBILIZAÇÃO DANDO VOZ AOS JOVENS DA PERIFERIA

A grande mídia só noticia o que acontece na periferia quando e para falar da violência. Mas comunicadores e mobilizadores locais trabalham na contra-mão, mostrando que há muita coisa boa para se contar sobre as periferias e atuando também como fomentadores da participação social facilitando ambientes de transformação, aonde as tecnologias de comunicação são uma das principais ferramentas de articulação.

Convidados para o debate:
– Karol Coelho – Escola de Noticias / Campo Limpo
– Aline Rodrigues – Mídia Periférica ( Zona Sul – SP)
– Rene Silva – Voz da Comunidade / Complexo do Alemão – RJ (por vídeo-conferência)
– Enderson Araujo – Periferia em Movimento / Salvador – BA (por vídeo-conferência)
– Movimento Cabuçu

Mediadora: Aline Kelly

14h: A CULTURA DA PERIFERIA QUER O SEU ESPAÇO

“A cultura da periferia permite construir padrões de interação cívicos, além de criar recursos de poder para seus moradores”.
A riqueza da produção cultural da periferia está na luta por mais espaço, buscando romper com paradigmas que a discriminam e que tentam impor padrões para o que é considerado “bom” culturalmente. Como podemos através dos espaços públicos fortalecer as expressões culturais e artísticas que revelam todo o talento e a história da periferia?

Convidados:

– Casa do Hip Hop de Guarulhos
– Carlos Inada – Conexão Inside Out Rap Comunidade
– Fernanda – Secretaria Nacional da Juventude ,
– Sérgio Gagliardi – DGT Filmes
– Ronaldo Novais Mib (Conexão Inside Out Rap Comunidade/Cooperativa da Rima).

Mediadora: Sam Shiraishi

E como diz o sociólogo Hermano Vianna (um dos idealizadores do programa Esquenta!,de quem já falei aqui)

“A periferia se cansou de esperar da oportunidade que nunca chegava, e que viria de fora, do centro”
Hermano Vianna

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Veja o mapa do local aqui.